Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Sou filha do Paraná,

onde a terra molhada tem cheiro de infância,

e sou mulher do Japão,

onde meu espírito aprendeu a morar no silêncio

e Deus me encontrou com suavidade.

 

Vivo nesse entre-lugar:

o Ocidente que pulsa,

o Oriente que acalma.

Sou feita dos dois.

 

Escrevo porque a alma precisa de portas.

 

Há dias em que o cotidiano pesa

e o coração busca um canto onde possa ser leve.

Nos dias assim, escrevo como quem acende uma pequena fogueira:

para aquecer, para iluminar,

para lembrar que ainda existe ternura.

 

Minhas palavras não pretendem vencer nada.

Pretendem abrigar.

 

Sou discípula de versos que me salvaram.

Sou irmã de poetas que nunca conheci.

E trago no peito a certeza de que

um texto pode ser lar

para quem já não tem lugar nenhum.

 

Por isso deixo minhas janelas abertas.

Meus textos são assim:

um quarto azul no fim da tarde,

um chá que perfuma o silêncio,

uma cadeira vazia à espera de quem chega.

 

Se seu coração estiver cansado,

sente-se.

A casa é pequena,

mas a luz é inteira.

 

Sônia Ortega Lupion — SOL