Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Geraldo, hoje completa 85 anos.
Continua o mesmo
Forte, dinâmico, fala mansa,
feliz...
Disse-me: Acho que estou vivo ainda,
porque tenho uma boa família.
Aqui em casa nuca brigamos,  somos
amigos um do outro, a alegria
faz parte de nós.

Geraldo reside em um sítio,
Os filhos todos os dias
estão com ele,
matêm viva aquela terra.


O vento forte trouxe com ele uma chuva apressada para molhar a terra, eu aqui na minha janela assistindo a chuva caindo, e nada daquele cheiro de terra molhada; busquei dentro de mim a cor do barro vermelho e o seu cheiro transportou-me para minha terra natal.
Sinto minhas raízes molhadas, meus pés amassando o barro e a minha saudade fartando-se das lembranças que inundam minha alma. É tanta chuva, o vento carregou-me para Geraldo, meu querido tio Geraldo.
Homem e terra, um só coração. Geraldo um homem simples, humilde,
lembro-me bem das suas mãos calejadas, do perfume da sua pele, do céu que ele carrega no azul dos seus olhos, olhos que refletem seu mundo, sob a luz que vem de Deus. Existe um portal aberto dentro daqueles olhos, o amor jorrando água e as raízes bem nutridas, florescendo no trigo, no café, nas frutas, na soja, na mandioca, nas flores, nos porcos, nas galinhas, na mangueira gigantesca ao pé porta da sua casa. Semeador de essências
 Você Geraldo,  terra e céu é tudo uma coisa só.

Parabéns, meu tio querido!



 
Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 16/06/2008
Alterado em 17/12/2011
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