Hoje, enquanto lia uma antiga sabedoria sobre as almas que atravessam o mundo espalhando bondade sem esperar recompensa, pensei imediatamente em ti.
Percebi que tua alma é assim.
Generosa sem fazer alarde.
Firme sem endurecer.
Luminosa sem precisar brilhar para ser vista.
Há pessoas que passam pela vida deixando marcas.
Outras deixam caminhos.
Tu és daqueles que, quase sem perceber, abre passagem para que outros atravessem os seus próprios medos.
Sempre admirei tua maneira de olhar o próximo.
Tens o raro dom de enxergar pessoas onde muitos enxergam apenas problemas.
De acolher sem invadir.
De ajudar sem humilhar.
De estender a mão sem esperar aplausos.
Num mundo que tantas vezes confunde bondade com fraqueza, desejo que nunca permitas que te convençam disso.
A verdadeira força nunca precisou levantar a voz.
Mesmo quando a vida se transforma num oceano revolto, tua essência permanece serena.
E essa serenidade não te sustenta apenas.
Ela também ampara quem caminha ao teu lado.
Filho amado,
talvez nunca saibas o bem que já fizeste a tantas pessoas.
Há gestos que não aparecem em fotografias.
Há palavras que ninguém registra.
Há pequenos atos de generosidade que passam despercebidos aos olhos do mundo, mas nunca passam despercebidos ao coração de quem os recebeu.
São esses gestos que constroem uma vida bonita.
Por isso, nunca deixes de ser quem és.
O mundo já tem gente suficiente querendo parecer importante.
Continua apenas sendo bom.
Porque a bondade é uma das poucas riquezas que aumentam toda vez que são repartidas.
Se um dia o cansaço te visitar, lembra-te de uma coisa:
o amor que semeias sempre encontra um caminho para voltar.
Com todo o amor que existe em mim,
Mamãe
Sônia Lupion Ortega Wada — SOL