Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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              Travessia

 

 

Troquei de casa, de céu,

de língua, de vento e de chão.

Levei comigo só o essencial:

meus silêncios,

minhas memórias

e a coragem embrulhada em saudade.

 

Fui flor plantada no asfalto,

fui rio buscando o mar.

Em terras de outros deuses,

aprendi novos nomes para o amor,

e também para o medo.

 

No Japão, aquietei minha alma —

entre cerejeiras e luas discretas,

descobri que o silêncio fala.

E que, mesmo longe de casa,

a gente se torna casa em si.

 

Sofri olhares que ferem sem palavra,

mas respondi com gestos de ternura.

E fiz morada na delicadeza

de quem sabe:

viver é redescobrir-se mil vezes.


 

Essa bela imagem, peguei emprestada da Juli Lima. Amiga, peguei sem pedir licença, perdão. Obrigada.


 

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 30/04/2025
Alterado em 30/04/2025
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