Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Réquiem do Tempo II

Réquiem do Tempo II

 

O tempo tem um jeito sereno de dizer adeus. Ele não grita, não interrompe, apenas esvanece… como a luz que se apaga lentamente no horizonte, deixando o céu num silêncio de cores que ainda dançam. A vida, nesse intervalo, curva-se em gratidão. Não há pressa no fim, nem desespero. Há uma entrega. Uma sabedoria que sussurra: “foi o bastante, agora é hora de voltar à fonte.”

 

Tudo que nasce sabe, no fundo do seu pulsar, que um dia retornará ao lugar de onde veio. E esse retorno não é uma perda — é uma expansão. A folha seca não chora por ter caído; ela sabe que, ao tocar o chão, alimenta outras vidas. O corpo que descansa na terra não é mais ausência, é raiz, é ciclo, é ponte entre o que foi e o que virá.

 

Neste réquiem, o tempo canta uma canção sem palavras, feita de memórias e sopros. Uma canção que não lamenta, mas celebra. Celebra o toque das mãos, o riso compartilhado, o silêncio cheio de sentido entre duas almas que se reconheceram. Celebra os gestos simples, os encontros breves, os amores que floresceram mesmo sob o peso das estações.

 

Tudo retorna. Tudo renasce. Há um sopro escondido na morte que sopra de novo no ventre da vida. E o que parte — se for amado — não desaparece: transforma-se em presença sutil, em vento na cortina, em estrela que pisca ao longe, em lembrança que aquece.

 

O tempo, sábio, embala a vida como quem embala um filho no colo. Ele sabe que o fim é apenas outra forma de começo. E, no compasso secreto do universo, cada adeus é também uma promessa: a de que tudo continua, sob outra forma, em outro lugar, no coração de quem sabe sentir.

 

By sônia

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 03/05/2025
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