Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Silêncio que Cai

 

Queria ser como a neve —

silenciosa,

invisível no cair,

abraçando o mundo

sem deixar cicatriz.

 

O céu parece bem mais vasto agora,

como se meus pensamentos tivessem se soltado,

como se o tempo respirasse mais devagar

e o frio fosse apenas um jeito de lembrar.

 

Ser neve —

para apagar pegadas antigas,

para repousar onde o ruído não chega,

para tocar sem ferir,

para partir sem pesar.

 

Talvez, sendo neve,

eu me dissolvesse nos telhados das lembranças,

sem dizer adeus.

 

Deixaria um instante de branco

sobre aquilo que doeu,

não para apagar —

só para aquietar.

 

Nenhum gesto grandioso,

nenhuma urgência.

Apenas o cair,

a pausa,

o não-peso.

 

Ser neve,

para caber no silêncio

sem precisar explicação.

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 17/05/2025
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