Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Quem  cuida

 

sou daquelas que cuida em silêncio

que percebe o cansaço no olhar do outro

e oferece abrigo sem pedir nada

 

sou daquelas que lembra aniversários,

manda mensagem na hora certa,

leva chá pra febre, colo pra dor

 

mas às vezes, me esqueço.

me deixo por último

e finjo que não dói

 

porque quem cuida

aprende a disfarçar

até o próprio choro

 

mas hoje eu quero dizer baixinho:

eu também preciso.

de um gesto,  de um cuidado.

de alguém que me pergunte

se estou bem —

de verdade

 

porque quem cuida

também cansa.

também treme.

também precisa se deitar

sem culpa

num colo que acolha

 

então, pela primeira vez em muito tempo,

respiro e deixo:

que cuidem de mim

sem pressa

sem pedir troco

 

porque cuidar de si

também é um tipo de amor

que demora

mas chega

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 17/05/2025
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