Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Costurar com Patas

 

 

Quando o frio da noite vinha,

ela trançava o calor com os passos.

 

Não tinha mãos.

Mas cada casco era linha que bordava o chão.

 

Costurava rotas que ninguém via.

 

E enquanto as outras se despedaçavam em pressa,

ela reaprendia o tempo com a fibra da relva:

não se corre o que se pode sentir.

 

Havia dignidade no seu trotar miúdo.

Como quem diz:

— Eu posso esperar.

— Eu sei costurar até o escuro.

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 03/06/2025
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