Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Caderno de Fins de Tarde
 

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Bem-te-vi pousa

no silêncio do entardecer —

não canta, encanta.

 

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Beija-flor

não fica

mas toca tudo

 

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Chuva fina

no telhado de barro —

voz de lembrança

 

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Borboleta

pousa no medo

e vira leveza

 

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Vento no bambu

não grita

conversa

 

 

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Gato no muro

nem mia

vigia os segredos da noite

 

 

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Fim de tarde —

uma andorinha desenha

o que não sei dizer

 

 

 

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Na calçada antiga

o riso da infância

ainda corre descalço

 

 

 

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O sabiá

canta no muro

que eu nunca mais escalei

 

 

 

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Fim de tarde

e eu brinco de novo —

mas só por dentro

 

 

 

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A pomba voa

com o cheiro do arroz

que minha avó fazia

 

 

 

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Menino-pássaro

com estilingue na mão

e culpa no coração

 

 

 

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Na última luz

um bem-te-vi me chama

pelo nome de antes

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 18/06/2025
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