Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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As Cicatrizes de Ouro


 

Há quem admire a perfeição, mas eu não.

A perfeição me soa muda, lisa demais, sem memória.

É no que se parte e se recompõe que encontro a beleza.

 

Os japoneses chamam de kintsugi a arte de restaurar cerâmicas quebradas com fios de ouro. É como se dissessem ao mundo: “Aqui houve uma queda, mas também houve mãos que recolheram os fragmentos e lhes deram uma segunda vida.”

 

Gosto de pensar que somos assim também.

Nossas cicatrizes não são vergonhas, mas mapas.

Nossas dores não são falhas, mas testemunhos.

Tudo o que viveu, quebrou e foi reconstruído acaba irradiando uma luz mais serena, mais verdadeira.

 

Tudo que é perfeito não é belo.

O belo está nas rachaduras que deixaram entrar o ouro da vida —

e no silêncio que se transforma em canto quando temos coragem de continuar inteiros, ainda que partidos.

 

— Anita Harmon

 

 

 

Nota da autora:

Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.

 

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 02/09/2025
Alterado em 06/01/2026
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