Há quem admire a perfeição, mas eu não.
A perfeição me soa muda, lisa demais, sem memória.
É no que se parte e se recompõe que encontro a beleza.
Os japoneses chamam de kintsugi a arte de restaurar cerâmicas quebradas com fios de ouro. É como se dissessem ao mundo: “Aqui houve uma queda, mas também houve mãos que recolheram os fragmentos e lhes deram uma segunda vida.”
Gosto de pensar que somos assim também.
Nossas cicatrizes não são vergonhas, mas mapas.
Nossas dores não são falhas, mas testemunhos.
Tudo o que viveu, quebrou e foi reconstruído acaba irradiando uma luz mais serena, mais verdadeira.
Tudo que é perfeito não é belo.
O belo está nas rachaduras que deixaram entrar o ouro da vida —
e no silêncio que se transforma em canto quando temos coragem de continuar inteiros, ainda que partidos.
— Anita Harmon
Nota da autora:
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