Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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A Vastidão por Dentro

 

 

 

 

I. O Cotidiano como Céu

 

 

Acordo e acendo a lâmpada. A claridade não é apenas luz: é lembrança de todos os sóis que me trouxeram até aqui. Pego a chaleira, a água ferve, e nesse vapor que sobe como nuvem descubro um céu inteiro condensado sobre o fogão.

 

Minha neta sorri enquanto deixa cair migalhas pelo chão. O gesto é mínimo, mas nele cabe um universo: o tempo que passa e o tempo que começa, as gerações costuradas pelo mesmo fio invisível.

 

Aprendo que a vastidão não mora nas distâncias inalcançáveis, mas na dobra singela do dia comum. É no barulho da colher contra a xícara, no cheiro do pão quente, no rastro de brinquedos espalhados pela sala.

 

O infinito se esconde nessas pequenas coisas, e quando as reconheço, sinto que a vida inteira se abre — por dentro.

 

 

II. Haicais da Vastidão

 

 

1. Silêncio interior

Céu dentro de mim,

palavras suspensas flutuam —

quietude canta.

 

2. Infinitude

Dentro do peito, azul,

um horizonte sem fim —

o tempo se curva.

 

3. Cotidiano

No café da manhã,

um céu pequeno se esconde —

entre os gestos meus.

 

4. Afeto

O abraço guarda

um céu que se abre lento —

corpo em nuvem azul.

 

5. Memória

Lembranças antigas

desenham nuvens no peito —

céu que me habita.

 

6. Amanhecer interno

Sol nasce em mim

como vento entre árvores —

um céu que desperta.

 

7. Fluxo

Céu escapa dos dedos,

transpira entre gestos e sons —

liberdade azul.

 

8. Contemplação

Olho o vazio, e

dentro dele encontro o céu —

silêncio sem fim.

 

 

III. A Presença da Vastidão

 

 

A vastidão não se encontra fora, nem nos mapas, nem nas estrelas. Ela se esconde no silêncio que atravessa os gestos, no instante em que a respiração se detém e tudo parece pequeno demais para conter a vida.

 

Carrego céu nos bolsos do peito, nuvens que não se prendem, lembranças que flutuam. Descubro que a imensidão existe justamente porque não cabe, porque escapa, porque se revela no simples ato de olhar, ouvir, tocar.

 

E então sorrio: a vastidão é minha, não como posse, mas como presença. É o céu dentro de mim, respirando junto, infinito e íntimo, quieto e cantando.

 

 

 

 

IV. Haicais Finais

 

 

1. Céu interior

Céu dentro de mim,

respira em silêncio azul —

o mundo se dobra.

 

2. Silêncio que canta

Céu dentro de mim,

palavras suspensas flutuam —

quietude canta.

 

3. Horizonte infinito

Dentro do peito, azul,

um horizonte sem fim —

o tempo se curva.

 

4. Pequenos gestos

No café da manhã,

um céu pequeno se esconde —

entre os gestos meus.

 

5. Afeto expandido

O abraço guarda

um céu que se abre lento —

corpo em nuvem azul.

 

 

 

 

Nota da autora:

Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 12/09/2025
Alterado em 06/01/2026
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