Pérola do Corpo
Para Pedrinho Wada
Há uma luz que habita nossa pele,
tênue e secreta, como pérola molhada de mar.
Não se reflete, não se mostra aos outros —
pulsa apenas sob a superfície, quente, silenciosa,
lembrando o sal, a maré,
o instante em que o mundo se curva à delicadeza do toque.
Pérola de luz,
mar dança em minha pele —
abraço silente.
Cada gesto desperta essa luminescência:
um dedo que roça o braço,
um cabelo que escorrega pelos ombros,
o perfume sutil do próprio corpo.
É um clarão íntimo, que não precisa de olhos para ser visto.
Dedos entre cachos,
mar e luz se confundem —
entrega pura.
Respirar a própria presença é perceber que a pele é mapa e memória,
tela de sensações, espelho da vida que corre dentro de nós.
Ali, entre sombras e reflexos,
a luz cresce intensa e pura,
lembrando que somos, cada um, um oceano em miniatura,
guardando pérolas secretas que só nós podemos tocar.
Quando eu lhe embalava no meu colo para dormir,
você enrolava seus dedinhos nos cachos do meu cabelo
e, nos dois bem juntinhos, eu podia ver sua luz que nos envolvia.
Luz que não se vê,
sussurra entre corpos quentes,
oceano em nós.
A luz, como pérola, mergulhava no mar do meu corpo —
como se o mar do meu ventre iluminasse a pérola,
e luz e mar voltassem a ser um só.
Esse envolvimento de mãe e filho não se explica;
há apenas entrega, apenas sentimentos que transbordam.
Colo que embala,
ondas e luz se entrelaçam,
mundo se cala.
Nessa claridade íntima, entendemos que a presença é uma forma de amor que brilha por dentro.
Cada toque, cada abraço, cada instante compartilhado é uma pequena constelação,
única e preciosa, guardada no silêncio do corpo e da memória,
onde a luz e o mar dançam juntos, eternamente, dentro de nós.
No silêncio azul,
mãe e filho são mar e luz,
toque que acalma.

Nota da autora:
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