Amor de Outra Vida
Eu te amo desde antes do nome,
quando eras apenas sopro
e teus olhos já buscavam os meus
em alguma constelação esquecida.
Te reconheci no contorno do vento,
no sal da tua pele sonhada,
no modo como tocavas o silêncio
com a leveza de quem já me conhecia.
Por quanto tempo vou te amar?
Pelo tempo em que houver auroras,
e mesmo depois,
quando o mundo não souber mais falar de amor,
eu ainda te amarei em segredo.
Eu sou aquele que espera
à margem das eras,
guardando tua dança com os cavalos,
teu riso escondido sob véus,
teu perfume de terra molhada e flor azul.
Sigo o som do teu violino,
mesmo quando o mundo dorme,
e o que me guia
é essa chama que nunca se apagou
desde a primeira vida onde fomos um.
Ainda sonho com teus olhos
sob as estrelas de uma praia que nunca vimos,
e espero — sem pressa —
teu passo no Recanto onde as almas se reencontram.
Não importa o tempo, o corpo ou a ausência.
Eu sou teu.
De outra vida,
de agora,
do sempre.
Nota da autora:
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