Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Carta ao amigo que mora no tempo


 

 

Querido amigo,

 

Escrevo de um tempo que talvez não seja o mesmo que o seu.

Aqui, o dia já nasceu — aí, talvez ainda seja noite.

Entre nós, há um silêncio de horas,

mas é nesse intervalo que o afeto repousa.

 

Às vezes penso que o tempo é apenas

uma ponte invisível —

feita de lembranças e esperas.

Enquanto você adormece, eu caminho pelas manhãs, e me pergunto se o vento que toca meu rosto é o mesmo que embala o seu sono.

 

Há quem diga que o tempo corre.

Mas, se a gente presta atenção, ele apenas respira.

O relógio faz barulho — o tempo, não.

Ele se esconde nas pausas, no intervalo entre uma palavra e outra, no instante em que dois corações se reconhecem, ainda que em fusos diferentes.

 

Sabe, o tempo poético não sabe contar segundos.

Ele dobra o ontem dentro do agora,

mistura lembranças com promessas

e transforma distância em presença.

 

Talvez o tempo verdadeiro seja esse:

o que acontece quando trocamos mensagens,

quando as palavras se encontram por um instante e tudo — o antes e o depois — deixa de importar.

 

Gosto de pensar que o tempo não nos separa.

Apenas cuida dos nossos silêncios.

Talvez ele exista só para que possamos sentir saudade, e, ao senti-la, lembrar que a amizade é o único relógio que não erra as horas.

 

Aqui, já é amanhã.

Aí, ainda é noite.

Mas quando penso em você,

o tempo se curva —

e o agora nos pertence.

 

Com ternura e um punhado de luz,

Sônia Lupion Ortega Wada 🌸

 

 

 

Nota da autora:

Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.

 

 

 

 

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 04/11/2025
Alterado em 06/01/2026
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