Azul que Cor-da
O azul chega primeiro no céu, rasgando a manhã com luz suave,
mas não se contenta com o alto — ele desce, se espalha, dança sobre o mar,
escorrega nas pétalas de flores, se espraia sobre a pele, se infiltra nos pensamentos,
sussurrando segredos de vento e nuvem, a-cordando cada olhar.
Comemos azul quando provamos mirtilos, uvas, flores comestíveis,
quando o arcaroço do gelo se derrete em nossas bocas como pequenos pedaços de céu.
O azul cor-da o gosto doce, leve, infinito — sorvete de nuvem, chá de verão,
mel que escorre do horizonte e a-corda o riso escondido.
Dançamos azul quando cor-da o campo,
giramos, braços abertos, como se quisessem abraçar o horizonte.
O azul cor-da a música, cor-da o riso que escapa pelos dentes,
cor-da o vento que bagunça o cabelo, arrepia a pele, a-corda a liberdade.
O azul se senta ao nosso lado quando lemos um livro,
quando olhamos para a água que reflete nuvens,
quando fechamos os olhos e respiramos fundo,
como se cada suspiro fosse uma onda que cor-da o mundo,
como se cada pausa a-cordasse o instante.
Podemos vestir azul, escrever azul, desenhar azul,
podemos pintar nossas paredes de azul,
podemos dormir enrolados no azul, abraçados pela calma que ele oferece,
como se cada sonho cor-dasse luz, leveza e silêncio.
Podemos dormir enrolados no azul, abraçados pela calma que ele oferece,
como numa manta azul — tão macia que parece capaz de nos fazer voar — silêncio em asas,
e no abraço do azul, até o universo parece pausar para assistir,
como quem reconhece, em silêncio, a beleza de uma alma tentando recomeçar.
O azul não é apenas cor, é atmosfera,
é tempero da vida, é melodia que não cessa,
é lembrança de que tudo pode ser leve, tudo pode ser infinito,
um eterno convite a sorrir, a cor-dar o instante, a ser azul.
E se quisermos, podemos dançar o azul,
comê-lo, sorvê-lo, espalhá-lo, respirá-lo,
até que ele cor-da a própria música do corpo,
até que nos tornemos azul, inteiros e leves,
como o céu que nunca se cansa de existir,
como a luz que insiste em voltar, todos os dias.
O azul cor-da tudo.
O azul a-corda tudo.
O azul nos cor-da.
O azul nos a-corda.
E no azul, respiramos, rimos, dançamos, vivemos —
porque ser azul é estar inteiro, leve e infinito,
porque o azul nunca se cansa de existir,
porque o azul nunca deixa de cor-dar.

Nota da Autora
“Azul que Cor-da” nasceu da vontade de transformar o azul em verbo — de fazer dele um gesto, um respiro, uma forma de tocar o mundo.
Não é apenas uma cor, mas um estado de alma: o azul que veste o dia, adormece a dor, acorda o riso e devolve leveza às coisas simples.
Cada verso é um sopro de calma, uma tentativa de lembrar que o azul está em tudo — no céu, no mar, no olhar, e também dentro de nós.
Porque ser azul é existir em movimento: leve, infinito e inteiro.
— Sonia Lupion Ortega Wada 💙
Imagens: Pinterest
Nota da autora:
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