Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Azul que Cor-da

 

 

O azul chega primeiro no céu, rasgando a manhã com luz suave,

mas não se contenta com o alto — ele desce, se espalha, dança sobre o mar,

escorrega nas pétalas de flores, se espraia sobre a pele, se infiltra nos pensamentos,

sussurrando segredos de vento e nuvem, a-cordando cada olhar.

 

 

Comemos azul quando provamos mirtilos, uvas, flores comestíveis,

quando o arcaroço do gelo se derrete em nossas bocas como pequenos pedaços de céu.

O azul cor-da o gosto doce, leve, infinito — sorvete de nuvem, chá de verão,

mel que escorre do horizonte e a-corda o riso escondido.

 

Dançamos azul quando cor-da o campo,

giramos, braços abertos, como se quisessem abraçar o horizonte.

O azul cor-da a música, cor-da o riso que escapa pelos dentes,

cor-da o vento que bagunça o cabelo, arrepia a pele, a-corda a liberdade.

 

O azul se senta ao nosso lado quando lemos um livro,

quando olhamos para a água que reflete nuvens,

quando fechamos os olhos e respiramos fundo,

como se cada suspiro fosse uma onda que cor-da o mundo,

como se cada pausa a-cordasse o instante.

 

Podemos vestir azul, escrever azul, desenhar azul,

podemos pintar nossas paredes de azul,

podemos dormir enrolados no azul, abraçados pela calma que ele oferece,

como se cada sonho cor-dasse luz, leveza e silêncio.

 

Podemos dormir enrolados no azul, abraçados pela calma que ele oferece,

como numa manta azul — tão macia que parece capaz de nos fazer voar — silêncio em asas,

e no abraço do azul, até o universo parece pausar para assistir,

como quem reconhece, em silêncio, a beleza de uma alma tentando recomeçar.

 

O azul não é apenas cor, é atmosfera,

é tempero da vida, é melodia que não cessa,

é lembrança de que tudo pode ser leve, tudo pode ser infinito,

um eterno convite a sorrir, a cor-dar o instante, a ser azul.

 

E se quisermos, podemos dançar o azul,

comê-lo, sorvê-lo, espalhá-lo, respirá-lo,

até que ele cor-da a própria música do corpo,

até que nos tornemos azul, inteiros e leves,

como o céu que nunca se cansa de existir,

como a luz que insiste em voltar, todos os dias.

 

O azul cor-da tudo.

O azul a-corda tudo.

O azul nos cor-da.

O azul nos a-corda.

 

E no azul, respiramos, rimos, dançamos, vivemos —

porque ser azul é estar inteiro, leve e infinito,

porque o azul nunca se cansa de existir,

porque o azul nunca deixa de cor-dar.

 

 

 

 

Nota da Autora

 

 

“Azul que Cor-da” nasceu da vontade de transformar o azul em verbo — de fazer dele um gesto, um respiro, uma forma de tocar o mundo.

Não é apenas uma cor, mas um estado de alma: o azul que veste o dia, adormece a dor, acorda o riso e devolve leveza às coisas simples.

 

Cada verso é um sopro de calma, uma tentativa de lembrar que o azul está em tudo — no céu, no mar, no olhar, e também dentro de nós.

Porque ser azul é existir em movimento: leve, infinito e inteiro.

 

— Sonia Lupion Ortega Wada 💙

 

Imagens: Pinterest

 

 

 

Nota da autora:

Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.

 

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 08/11/2025
Alterado em 06/01/2026
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