Pra um amigo de longe,
que parece de casa.
O AMIGO POLACO
Olhei bem sua fotografia,
polaco branquelo e risonho,
pareceu cena que eu via
nas lembrança de outro sonho.
Vi meu filho no teu rosto,
E notei o traço polaco
talvez por isso, cumpadi,
senti amizade de gosto,
dessas que vem sem alarde.
Sessenta e cinco é a idade?
Pois lhe digo, sem demora,
o tempo lhe deu bondade,
e não tirou sua aurora.
Nariz tá no mesmo canto,
orelha não cresceu, não!
O tempo fez foi encanto
no seu jeito e coração.
Vejo um amigo sincero,
daqueles pra prosear,
que chega quieto, mas quero
ter sempre pra confiar.
E entre nós, digo baixinho,
com respeito e simpatia:
esse furim no queixinho
tem charme e poesia!
Agora fico a lembrá,
numa espera sem pressa,
com café pra adoçá,
o tempo que não atravessa.
De coração a pulsar,
só faltava o carteiro gritar:
— “Tem carta pra Sônia — chegou de Sampa
