Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Pra um amigo de longe,

que parece de casa.



O AMIGO POLACO

 

Olhei bem sua fotografia,

polaco branquelo e risonho,

pareceu cena que eu via

nas lembrança de outro sonho.

 

Vi meu filho no teu rosto,

E notei o traço polaco

talvez por isso, cumpadi,

senti amizade de gosto,

dessas que vem sem alarde.

 

Sessenta e cinco é a idade?

Pois lhe digo, sem demora,

o tempo lhe deu bondade,

e não tirou sua aurora.

 

Nariz tá no mesmo canto,

orelha não cresceu, não! 

O tempo fez foi encanto

no seu jeito e coração.

 

Vejo um amigo sincero,

daqueles pra prosear,

que chega quieto, mas quero

ter sempre pra confiar.

 

E entre nós, digo baixinho,

com respeito e simpatia:

esse furim no queixinho

tem charme e poesia!

 

Agora fico a lembrá,

numa espera sem pressa,

com café pra adoçá,

o tempo que não atravessa.

De coração a pulsar,

só faltava o carteiro gritar:

— “Tem carta pra Sônia — chegou de Sampa

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 10/11/2025
Alterado em 10/11/2025
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