Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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A Lenda das Lágrimas da Lua

(como é contada pelos ribeirinhos da Amazônia)

 

Esta é uma das histórias que eu costumava contar para o Pedrinho.

Hoje, abro com ela uma série de homenagens para celebrar o seu aniversário.

 


Dizem os mais antigos que, antes de existir noite no mundo, a Lua vivia tão perto da Terra que podia tocar as copas das samaúmas com a ponta dos dedos de luz.

Nessa época, ela era uma jovem guardiã curiosa, chamada Nhaê, que descia todas as tardes para observar os povos da floresta.

 

Nhaê amava especialmente as águas escuras dos igarapés, porque nelas podia ver seu próprio reflexo a dançar entre as folhas.

E foi numa dessas tardes que ela se apaixonou por um jovem canoeiro, Uarí, conhecido por navegar tão silencioso que até os peixes dormiam ouvindo seu remo.

 

Os dois se encontravam sempre que o céu começava a dourar.

Ela descia como um clarão prateado;

ele chegava como um sussurro sobre a água.

 

Mas o amor deles acordou a fúria de Tupiranga, o espírito da tempestade, que sempre fora protetor do céu e não admitia uma guardiã lunar se apaixonar por um mortal.

Um dia, tomado de ciúme e orgulho, Tupiranga lançou um trovão tão forte que separou os mundos:

a Lua foi empurrada para longe, muito longe, e nunca mais conseguiu tocar a Terra.

 

Nhaê, desesperada, tentou voltar ao igarapé, mas quanto mais se aproximava, mais era afastada pelo vento do espírito.

 

Foi então que ela chorou.

Chorou tanto que suas lágrimas atravessaram o céu como gotas de prata incandescente.

Caíram sobre a floresta e sobre as águas, e onde tocavam formavam pequenos brilhos redondos, que se aninhavam entre as folhas como sementes de luz.

 

Os povos amazônicos dizem que dessas lágrimas nasceram:

 

• os vaga-lumes, que guardam pedacinhos do pranto da Lua,

• as pedras-de-lua encontradas nas margens dos rios,

• e a névoa luminosa que às vezes dança sobre os lagos nas noites de silêncio.

 

E contam mais:

 

Até hoje, quando a Lua está muito cheia e parece maior do que o céu, Nhaê se inclina tentando reencontrar Uarí.

E quando o rio brilha como se estivesse cheio de estrelas, é porque a Lua, lembrando do seu amor perdido, voltou a chorar.

 

As avós ribeirinhas dizem baixinho às crianças:

 

— Olhem bem a água… quando ela brilha, são as Lágrimas da Lua. E cada uma delas tem um pedido guardado. É só saber escutar.


 

Imagens—Acervo Pessoal

e

Google

 

 

Nota da autora:

Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.

 

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 18/11/2025
Alterado em 06/01/2026
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