Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Cordel da Quijólatra

 


Não sou do sertão, confesso sem pejo:

mas sei fazer cordel, e faço com desejo.

enquanto o povo ama doce,

eu tenho paixão por queijo.

 

Sou quijólatra assumida,

não escondo e nem nego;

se me dão um parmesão,

me ajoelho e até entrego.

 

Quer saber meu fraco mesmo?

Pois escute o que lhe digo:

traga queijo e não carinho,

que eu fico logo em perigo.

 

Dispenso beijo e abraço,

meu gosto já é certeiro:

se quiser me ver feliz,

me dê queijo, companheiro!

 

Cottage, brie ou gruyère,

gouda, prato, coalho e azul;

cada um me acende a alma,

me deixa sorrindo ao sul.

 

Mas diacho que aqui, nesse Japão,

queijo é quase raridade;

no mercado é pouca opção,

tudo caro, meu compadre!

E ainda vêm tão pequeninos…

— diacho de dificuldade!

 

Quando o cheiro invade a casa,

meu coração faz festejo:

“Queijo, queijo, queijo!”, eu grito,

me perco dentro do queijo.

 

E nessa paixão tão grande,

não há mentira escondida:

talvez eu ame mais queijo

do que muita gente 

Porque queijo não fala, não julga,

e sempre derrete por mim.

 

Sônia Lupion Ortega Wada

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 25/11/2025
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