Cordel da Quijólatra
Não sou do sertão, confesso sem pejo:
mas sei fazer cordel, e faço com desejo.
enquanto o povo ama doce,
eu tenho paixão por queijo.
Sou quijólatra assumida,
não escondo e nem nego;
se me dão um parmesão,
me ajoelho e até entrego.
Quer saber meu fraco mesmo?
Pois escute o que lhe digo:
traga queijo e não carinho,
que eu fico logo em perigo.
Dispenso beijo e abraço,
meu gosto já é certeiro:
se quiser me ver feliz,
me dê queijo, companheiro!
Cottage, brie ou gruyère,
gouda, prato, coalho e azul;
cada um me acende a alma,
me deixa sorrindo ao sul.
Mas diacho que aqui, nesse Japão,
queijo é quase raridade;
no mercado é pouca opção,
tudo caro, meu compadre!
E ainda vêm tão pequeninos…
— diacho de dificuldade!
Quando o cheiro invade a casa,
meu coração faz festejo:
“Queijo, queijo, queijo!”, eu grito,
me perco dentro do queijo.
E nessa paixão tão grande,
não há mentira escondida:
talvez eu ame mais queijo
do que muita gente
Porque queijo não fala, não julga,
e sempre derrete por mim.
Sônia Lupion Ortega Wada