Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Chiados que Viram Asas

 

 

Às vezes giro o tempo devagar,

como quem põe um vinil esquecido pra rodar,

não pela música,

mas pelo chiado —

essa confissão antiga que pulsa entre as faixas

e diz o que o silêncio não ousa.

 

É ali, nesse intervalo gasto,

que minha alma respira mais fundo

e lembra quem é.

 

Então deixo a palavra repousar

no canto mais calmo da minha mão.

Ela fica ali, quieta,

absorvendo o mundo ao redor —

até que, sem aviso,

sinta o impulso de abrir as próprias asas.

 

E quando voa,

não é por mim,

nem para mim.

É porque algumas palavras

só encontram sentido

quando descobrem seu próprio céu.

 

 

 

Nota da autora:

Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 02/12/2025
Alterado em 06/01/2026
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