Chiados que Viram Asas
Às vezes giro o tempo devagar,
como quem põe um vinil esquecido pra rodar,
não pela música,
mas pelo chiado —
essa confissão antiga que pulsa entre as faixas
e diz o que o silêncio não ousa.
É ali, nesse intervalo gasto,
que minha alma respira mais fundo
e lembra quem é.
Então deixo a palavra repousar
no canto mais calmo da minha mão.
Ela fica ali, quieta,
absorvendo o mundo ao redor —
até que, sem aviso,
sinta o impulso de abrir as próprias asas.
E quando voa,
não é por mim,
nem para mim.
É porque algumas palavras
só encontram sentido
quando descobrem seu próprio céu.
Nota da autora:
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