Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Carta para Volley Girl

 

Minha querida Volley Girl,

 

Tudo começou com uma entrevista, na qual contei que fui jogadora de vôlei na adolescência. Um relato simples, uma lembrança da juventude, mas que despertou em Benny a ideia de me surpreender com um gesto cheio de carinho.

Mas como ele não comentou absolutamente nada sobre a tal surpresa, passou a me chamar de Volley Girl — e eu, desconfiada, cheguei até a pensar que corria o risco de ganhar uma bola de vôlei a qualquer momento.

 

Lá foi ele, num sábado qualquer, com o envelope em mãos — ou, como descobrimos depois, o futuro livro — enfrentando portas fechadas, três agências de correios, cinco léguas de shopping, multidões LO-TA-DA e cinco horas de batalha com uma atendente que exigia e-mail, telefone e até quase o signo.

 

No caminho, encarou uma fila que parecia não ter fim. Um casal, sensibilizado ao vê-lo — Benny, meu fofo e kawaii Benny — comentou baixinho que ele, como idoso, poderia passar na frente. Foi assim, meio empurrado pela gentileza alheia, que avançou alguns passos rumo ao objetivo heroico de postar meu presente.

 

E então eu — inocente e confiante — enviei meu endereço no modo japonês. Aqui não existe rua, bairro, zona… apenas códigos, blocos, prédios e um nome que milagrosamente faz tudo se encontrar. Mas o correio brasileiro, coitado, exigia o impossível: rua, bairro, zona, telefone — e Benny não tinha nada disso. A carta não pôde ser despachada.

 

Ele me escreveu logo em seguida: um e-mail recheado de aventura e frustração, acompanhado de uma foto segurando o envelope com meu endereço exótico, num misto de desespero, ternura e comédia involuntária. Foi motivo de compaixão minha — mas também de risos. Muitos risos.

 

Benny, com sua doçura e humor tão próprios, persistiu sorrindo diante do absurdo e transformou a burocracia em aventura. Mas depois das exigências infinitas, dos formulários mal-humorados e das telas que “travavam”, ele desistiu dos correios. E então, num gesto de fé e ousadia, enviou tudo pela transportadora. Missão dada, missão cumprida.

 

Enquanto isso, o envelope seguia sua própria epopeia: carimbos, selos, embarques e desembarques, atravessando fusos e continentes. Cada parada, um teste de paciência; cada carimbo, uma pequena vitória silenciosa.

 

E então, finalmente, chegou. Hoje, 3 de dezembro, 10:15 da manhã, minhas mãos tocaram o objeto que percorreu o mundo para me encontrar. Observe que era dia 02/12 22:15 pm no Brasil.

 

Não era uma simples carta: era um livro — Cinco Mulheres — Pioneirismo Feminino.

 

A dedicatória… ah, a dedicatória:

 

“Para Sônia, com amor divino

Imensurável!!

Beijos

Bernard Gontier”

 

Imensurável é a sensação de receber algo assim: não apenas um objeto, mas uma homenagem silenciosa, uma prova de amizade, cuidado e carinho profundo. Mais do que páginas, mais do que tinta, este presente é a celebração de mulheres grandiosas que mudaram a história — e, de algum modo, senti-me incluída nesse tributo.

 

Hoje passei  o dia lendo este livro, descobrindo histórias incríveis, sentindo-me homenageada e inspirada. Cada palavra, cada trajetória, cada conquista se mistura ao gesto de Benny, fofo e kawaii, que atravessou burocracias e distâncias para me entregar não apenas um livro, mas uma experiência de reconhecimento, carinho e amizade verdadeira.

 

E assim aprendo novamente: o valor de um presente não está apenas no que ele contém, mas na história, no cuidado e na amizade que o impulsionaram. Hoje, o livro repousa em minhas mãos, e eu sorrio, emocionada, sabendo que o ordinário se tornou extraordinário.

 

 

Próximo passo: a resenha do livro.

 

Com risos, emoção e gratidão imensurável,

Sônia

 


Fotografia de Belva Ann Lockwood—

uma das pioneiras que fazem parte do Livro. 

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 03/12/2025
Alterado em 03/12/2025
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