Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Entre a força que cai e o silêncio que observa, nasce a consciência que escolhe seu próprio caminho.

 

Encruzilhadas: entre a mudança e a consciência

 

 

Hoje, visitei dois poetas no Recanto.

Do Bernard, li uma entrevista fabulosa — um diálogo com um estrangeiro que parecia mais do que um homem: uma figura mística, dessas que surgem em contos antigos para entregar um recado e, ao mesmo tempo, convidar ao despertar coletivo.

Da Mardielli, encontrei um poema que respira o próprio processo de mudança — um processo vivo, íntimo, às vezes doce, às vezes aflito, mas sempre desafiador.

 

E ao ler os dois, compreendi que tudo isso conversa com o tempo em que estamos vivendo, este tempo de encruzilhadas invisíveis.

 

Porque a humanidade está numa encruzilhada vibracional — não de caminhos externos, mas de frequências internas.

E essa travessia é desconfortável.

Não por falta de luz, mas porque há luz demais, revelando o que não queremos ver e o que já não ressoa com a alma do mundo.

 

Quando a energia de um ciclo aumenta, ela ilumina tudo o que perdeu coerência: sistemas cansados, crenças enferrujadas, medos antigos, estruturas que já não sustentam ninguém.

Aquilo que estava silenciado ganha voz;

o que dormia desperta;

o que estava mascarado perde o véu.

 

Por isso tantos sistemas ruem ao mesmo tempo — não é desordem: é purificação.

É o velho tentando resistir enquanto o novo tenta nascer.

 

Vivemos, assim, uma batalha silenciosa entre duas consciências.

A velha, que se apoia em padrões conhecidos — medo, controle, manipulação, rivalidade, obediência cega, repetição.

São os caminhos pelos quais a história sempre marchou rumo aos mesmos desfechos trágicos.

 

E a nova consciência, que surge devagar, mas firme: mais sensível, mais ampla, mais lúcida.

Uma consciência que não quer destruir o que veio antes, mas integrá-lo; não quer vencer pela força, mas pelo entendimento;

não quer impor, mas revelar.

 

É nesse ponto de tensão — entre o que fomos e o que podemos ser — que cada pessoa, cada alma, sente o chão tremer.

A luz aumenta, e com ela, a necessidade de autenticidade.

Nada que seja falso, distorcido ou manipulado consegue sobreviver por muito tempo em uma vibração mais elevada.

 

É exatamente nesse cenário coletivo que as mudanças pessoais se tornam ainda mais profundas.

Porque há momentos em que tudo se move por dentro antes de mudar por fora.

É como se a alma pressentisse o que os olhos ainda não veem.

 

E, mesmo assim, seguimos —

às vezes com coragem,

outras com medo,

quase sempre guiados por uma fé silenciosa que nem sabemos nomear.

 

Mudar nunca é simples.

Toda mudança traz uma prova:

um desapego, uma travessia, uma pergunta nova.

O desafio não está no que deixamos para trás,

mas no que precisamos descobrir dentro de nós para continuar.

 

Há dias en que a mudança sopra como um vento benéfico.

Em outros, parece um terremoto.

Mas, em ambos, há um chamado:

crescer, renovar, recomeçar.

 

A espiritualidade nos lembra que nada se transforma sem propósito.

O que nos desafia, educa.

O que nos confronta, fortalece.

O que nos assusta, muitas vezes, é justamente o que nos empurra para a versão mais luminosa de nós mesmas.

 

Mudanças pedem humildade, paciência, coragem.

Mas pedem, sobretudo, confiança — naquela voz interior que nunca nos abandona, que sussurra mesmo quando tudo parece ruído, que devolve o eixo quando o mundo tenta nos desalinhar.

 

No fim, mudamos não para nos tornarmos outra pessoa, mas para voltarmos a ser quem sempre fomos, com mais clareza, mais força, mais verdade.

 

A travessia não é coletiva apenas — é íntima.

Cada ser humano está escolhendo, silenciosamente, a qual frequência deseja responder.

E essa escolha, somada às escolhas de todos, é o que definirá o futuro que construiremos.

 

Nada termina — apenas muda de luz.

E cada luz nova inaugura um começo.

 

Imagem : Hoa Le

 

 

 

Nota da autora:

Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 07/12/2025
Alterado em 06/01/2026
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