Quando Meu Filho Disse a Verdade
Meu filho estava na terceira série, e aqui no Japão, o “Dia dos Pais” visitar a escola. Era daqueles eventos que misturam orgulho e tensão: pais andando pelos corredores, avós, pinturas e textos expostos.
No meio da exposição, encontrei o texto dele em português. Falava da família: o pai sossegado, o sofá que roncava, a mãe a alegria da casa, cozinheira das melhores comidas, leitora de histórias antes de dormir. Tudo perfeito… até que chegou a parte do “defeito”:
— A mãe… peida alto.
Chamei ele de lado: “Filho, essa parte não lê, tá?” Ele me olhou sério e disse: “Mas mãe, não é mentira.”
Quando chegou a hora da leitura, lá fui eu, escondida no fundo da sala, rezando para o milagre da autocensura infantil. Não teve milagre. Ele leu. Cada palavra. Cada sílaba.
No instante do “peida alto”, todos os olhares se voltaram para mim — afinal, eu era a única mãe estrangeira da sala.
Eu respirei fundo e disse:
— Sim, meu filho tem um excelente humor!
Ele completou, triunfante:
— Mas eu não disse nenhuma mentira, mãe.
IMORTAL RECANTISTA — AQUI
Sam Moreno—Querido Poeta
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Nota da autora:
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