Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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O Lugar Onde o Nós Descansou

 

 

O amor terminou numa manhã tão quieta

que até o vento hesitou em atravessar a janela.

Não houve ruptura — apenas um desvanecer lento,

como a claridade que se recolhe antes de o dia perceber.

 

Não fui eu quem escreveu o adeus.

Foi o próprio tempo quem, com dedos invisíveis,

desfez as margens onde um dia te desenhei.

O gesto era tão leve

que quase parecia cuidado.

 

Guardei o que era teu

não em páginas, mas em arestas de memória:

o riso que hoje pertence mais ao ar do que a mim,

a ternura que ficou transparente demais para chamar de nossa.

 

E ainda assim, nada virou pó.

O que fomos apenas mudou de estado —

virou silêncio que não pesa,

virou lembrança que não fere,

virou presença sem forma.

 

Hoje, quando penso em nós dois,

é como lembrar a passagem de um perfume:

não está, mas ainda visita o ar.

 

E é nesse intervalo,

entre o que se foi e o que permaneceu luz,

que encontro o lugar onde o nós descansou.

 

 

 

Nota da autora:

Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 01/01/2026
Alterado em 03/01/2026
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