Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Não é amor. É fuga emocional.

 

 

Vivemos um tempo em que há homens que aprenderam a desejar sem se implicar. Querem vínculo, mas não querem o peso da presença. Querem intimidade, mas sem a responsabilidade que a intimidade exige. Psicologicamente, isso revela um padrão recorrente: a busca pelo prazer imediato combinada com a fuga sistemática do desconforto emocional.

 

Na lógica atual, o afeto tornou-se algo utilitário. Relacionar-se passou a significar consumir experiências, e não construir sentidos. O outro deixa de ser sujeito e passa a ser função — alguém que acolhe, valida, escuta e aquece, desde que não exija nada em troca. É uma relação baseada no benefício, não no encontro.

 

Do ponto de vista psicológico, isso é imaturidade afetiva. Do ponto de vista filosófico, é a incapacidade de sustentar o encontro com o outro. Porque encontrar alguém de verdade implica risco, frustração, limites e renúncia do próprio ego. E muitos não suportam essa travessia.

 

Quando uma mulher se envolve, ela não está “criando expectativas”. Ela está respondendo a sinais, palavras, gestos e promessas implícitas. O vínculo não nasce do nada; ele se constrói na repetição da presença, na constância, na coerência entre discurso e ação. Culpabilizá-la é uma forma conveniente de fugir da própria incoerência.

 

Esse tipo de homem quer os frutos do vínculo sem plantar a árvore. Quer cuidado sem responsabilidade, escuta sem reciprocidade, corpo sem compromisso emocional. E quando a relação pede profundidade, ele chama de peso. Quando pede clareza, ele chama de cobrança. Quando pede verdade, ele chama de drama.

 

O resultado é um cansaço emocional coletivo nas mulheres. Não por amar demais, mas por amar sozinhas. Por sustentar relações em que o outro está sempre com um pé dentro e outro fora — emocionalmente indisponível, mas convenientemente presente.

 

Não se trata de atacar homens. Trata-se de nomear um comportamento. Porque só aquilo que é nomeado pode ser compreendido — e, quem sabe, transformado. Leveza não é ausência de responsabilidade. Liberdade não é descuido emocional. E reciprocidade não é excesso: é base.

 

 

 

 

Nota da autora:

Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 02/01/2026
Alterado em 18/07/2026
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