Aniversário
(Anita Harmon)
Há aniversários que chegam como calendário.
E há aqueles que chegam como um sim da vida.
Este é desses.
Hoje não conto anos —
conto vitórias silenciosas,
conto fôlego,
conto manhãs que voltaram a ter gosto.
O corpo, esse território tantas vezes atravessado por batalhas,
decidiu continuar.
E não apenas continuar —
decidiu florescer de novo, ainda que com cicatrizes.
Quando o corpo escolhe a vida,
a alma responde em festa.
Aprendi línguas difíceis nos últimos meses:
a dos exames,
a das esperas longas,
a do medo que se senta ao lado.
Mas aprendi também a língua mais bonita de todas:
a da cura que avança devagar,
firme,
sem alarde,
e vence.
Hoje estou quase curada.
E essa palavra não pede cautela —
pede brinde.
Porque o quase já é imenso,
já é futuro,
já é promessa em andamento.
Viver é gerúndio, eu sei.
E eu estou vivendo.
Estou curando.
Estou ficando —
mais inteira,
mais alegre,
mais dona do meu tempo.
Tenho muito a agradecer.
À ciência que funcionou.
Às mãos que cuidaram.
Às vozes que ficaram.
Mas agradeço sobretudo à vida,
que me quis aqui
e fez questão de me lembrar disso.
Sou como uma cerejeira que floriu no inverno.
Não por desafio,
mas porque a vida encontrou em mim
um lugar possível para continuar.
Neste aniversário, não faço pedidos tímidos.
Celebro.
Rio.
Respiro fundo.
Acordo sabendo que acordar é um privilégio
— e hoje, uma comemoração.
Não celebro o que passou.
Celebro o que pulsa.
O que cresce.
O que vem.
E hoje, o que vem
é vida.
E ela vem sorrindo. 🌸✨
Sônia Lupion Ortega
09/01/2026