Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Naha em Todos os Sentidos

Crônica de Anita Harmon

 

 

Cheguei a Naha com o coração leve e os sentidos despertos. O calor me abraçou antes mesmo de eu pisar no chão, uma mistura de sol e brisa que lembrava tardes preguiçosas de verão no Brasil. O aroma do mar se misturava ao cheiro doce das frutas tropicais vendidas nas ruas; cada passo parecia um convite, quase um chamado, para explorar.

 

As ruas vibram em cores e sons: risos que não precisam de tradução, mercados onde o tilintar de moedas se mistura ao perfume de goiabas e mangas, e pequenas lojas em que a madeira antiga parece guardar segredos de gerações. Cada esquina surpreendia, cada porta escondia histórias que só se revelam para quem olha com atenção.

 

As praias… ah, as praias! A areia fina e clara queimava levemente sob meus pés descalços, enquanto o mar, de um azul que parecia pintado à mão, me acolhia com sua calma. Mergulhar na água era mergulhar na própria paz; meus medos e preocupações se dissolviam, sal se desfazendo na correnteza.

 

A comida era poesia: o soba fumegante pela manhã, o goya champuru vibrante de cores e texturas no almoço, e à noite, sushis delicados que dançavam na língua, como se cada ingrediente contasse uma história da ilha. Cada sabor despertava lembranças e novas sensações, mostrando que comer também é uma forma de viajar.

 

E o povo… o povo de Naha é um abraço silencioso. Sorrisos que aquecem, gestos que confortam, hospitalidade que não precisa de palavras. Caminhando entre eles, senti a familiaridade do Brasil, a leveza de cidades pequenas onde a vida pulsa devagar e o coração encontra espaço para respirar.

 

Antes de dormir, caminhava pelas ruas iluminadas, ouvindo o sussurrar do vento entre os coqueiros, o ritmo distante de tambores Eisa e o murmúrio do mar que nunca está longe. A gratidão era silenciosa, mas intensa, por perceber que a beleza do mundo não se resume a lugares, mas à forma como os sentimos.

 

Naha não é só um lugar; é uma experiência que se sente na pele, no paladar e no coração — um pedacinho do Japão com calor tropical que toca a alma.

 

Imagem: Pinterest 

 

Nota da autora:

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Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 16/02/2026
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