Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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A Senhora da Vigília

(Quando a Insônia Escreve

 

Ela é a guardiã do limiar. A que chega sem bater, é espelho e espanto.

 

 

 

Ela vem —

com os pés descalços e as unhas pintadas de silêncio. 

Insônia.

 

Conhece o caminho como um gato noturno

que vive entre os vãos do pensamento.

Não bate.

Entra.

 

Contra ela, já usei o arsenal das almas cansadas:

chá de camomila em xícaras místicas,

meditações guiadas com vozes de algodão,

histórias lidas por monges digitais… Nada. 


 

 

Ela sorri, escorada no batente da mente,

cruza as pernas e acende um cigarro feito de lembranças.

Sabe tudo.

Sabe de mim antes de mim.

Ela vive nos pensamentos que escondi de mim mesma

durante o dia.

 

Fiz acordo, fiz oração, fiz promessa.

Mas ela —

tecelã de sombras —

prefere o escuro em que minha alma respira mais fundo.

 

Ela me conta segredos

que eu jamais escreveria acordada.

Me obriga a ouvir a sinfonia dos relógios,

a confissão do teto,

e sussurro do coração.

 

Ela me  chama pelo nome que ninguém usa mais.

Às vezes me embala, sim,

mas no colo do abismo.

 

Insônia é um nome,

mas também é um espelho.

E há quinze anos

ela me olha de dentro.

E não pisca.

 

 

Sônia Lupion Ortega Wada

Reedição

 


Nota da autora:

Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 07/03/2026
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