Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Fukuoka

— A Cidade que Respira entre o Mar e a Luz

 

 

 

 

Há cidades que impressionam pelo tamanho.

Outras, pela história.

 

E há aquelas que acolhem.

 

Fukuoka é assim.

 

Localizada ao norte da ilha de Kyushu, voltada para a baía de Hakata, a cidade sempre foi, desde os tempos antigos, uma porta aberta entre o Japão e o continente asiático. Dali partiram e chegaram influências vindas da China e da Coreia — e, hoje, também de Taiwan — moldando não apenas o comércio, mas também a cultura, a gastronomia e o espírito do lugar.

 

Essa geografia não é apenas um detalhe.

 

Ela molda o destino.

 

E talvez explique por que Fukuoka se tornou, nos últimos anos, uma das cidades mais promissoras do Japão — jovem, dinâmica, aberta a estrangeiros e em constante crescimento, especialmente em áreas ligadas à tecnologia e à indústria de semicondutores.

 

 

 

 

Fukuoka é, ao mesmo tempo, antiga e jovem.

 

Antiga porque carrega séculos de história, templos escondidos, trilhas espirituais e caminhos de peregrinação que atravessam montanhas silenciosas.

 

Jovem porque pulsa.

 

Universidades, novos negócios, ideias que circulam com leveza. Aqui, o futuro não chega com peso.

 

Ele se instala com naturalidade.

 

 

 

Ao caminhar pela cidade, essa dualidade se revela.

 

No centro, Tenjin e Hakata vibram. Pessoas, luzes, movimento.

Mas basta caminhar alguns minutos — e tudo muda.

 

 

 

O Parque Ohori se abre como um espelho de água e silêncio. Inspirado nos jardins clássicos chineses, o lago central reflete o céu com uma calma quase meditativa. Caminhar ao seu redor é perceber como a cidade sabe fazer pausas.

 

 

 

Mais adiante, o mar se aproxima.

 

Na região de Momochi, a paisagem se abre em linhas horizontais: céu, água e areia. Ao entardecer, o sol desce lentamente sobre a baía, tingindo tudo de dourado. Não há pressa nesse momento. Apenas a transição suave entre o dia e a noite.

 

 

 

Mas Fukuoka não é feita apenas de paisagens.

 

É também uma cidade de sabores.

 

Foi aqui que nasceu o famoso tonkotsu ramen — um caldo espesso, preparado lentamente com ossos de porco, que se tornou um dos símbolos gastronômicos do Japão.

 

À noite, pequenos yatai.

 

 

 

Barracas de comida de rua — se alinham pelas calçadas, criando um cenário simples e vivo, onde estranhos se tornam conversas e a cidade se revela mais próxima.

 

 

Há também o que não se vê à primeira vista.

 

Templos antigos escondidos entre ruas modernas.

 


Trilhas que levam a montanhas silenciosas.

 

Em Sasaguri, por exemplo, caminhos de peregrinação conduzem o visitante por entre pequenas estátuas dedicadas a Kannon — a bodhisattva da compaixão. Ali, entre pedras antigas e o verde que cresce devagar, há uma presença que não se impõe.


 

 

Apenas acolhe.

 

 



 

 

Mais adiante, o mar novamente se abre em refúgios inesperados.

 

A poucos minutos de barco, ilhas como Nokonoshima revelam campos de flores que mudam com as estações, onde o tempo desacelera e o vento conduz o silêncio.

 

Fukuoka guarda esses contrastes com naturalidade.

 

Não precisa escolher entre o antigo e o novo.

Entre o movimento e o silêncio.

 

 

Ela sustenta tudo.


 

 

 

Talvez seja isso que a torna especial.

 

Fukuoka não tenta impressionar.

Não se impõe.

 

Ela simplesmente acontece.

 

E, aos poucos, sem esforço, vai ficando.

 

 

 

 

Ao final do dia, quando a cidade se ilumina e o mar escurece lentamente, algo curioso acontece.

 

Percebemos que não estamos apenas visitando um lugar.

 

Estamos participando dele.

 

E talvez seja essa a verdadeira essência de Fukuoka:

 

não um destino que se atravessa —

mas um lugar onde se aprende, quase sem perceber, a permanecer.

 

E foi assim que, entre caminhos inesperados e novos começos, escolhi recomeçar aqui.

 

 

Não por acaso.

Mas por reconhecimento.

 

 

 

Itoshima é um segredo bem guardado para muitos moradores de Fukuoka.


E, agora meu também. 

 

 


 A menos de uma hora do centro da cidade de Fukuoka, esta ensolarada península possui praias arenosas, uma cena de surf movimentada e algumas caminhadas épicas.
 

E é a Cidade escolhida dos artistas.
 

Coincidência?

Ou talvez não.

Meu coração escolheu esse lugar.

 

 


 

A Praia de Keya é igualmente pitoresca, e existem vários lugares para surfe entre a Praia de Keya e a Praia de Futamigaura. O pôr do sol na praia de Nogita está classificado entre os 100 melhores pores do sol

 


 

 

 

 

Hoje Fukuoka não é apenas uma cidade.

 

É o lugar que, silenciosamente, passou a me acolher como lar.

 

 

 

⛩️ Haiku

 

vento da baía —

entre o novo e o antigo

o coração fica.

 


 

 

🌆 Fotos: Acervo da autora

 

 

 

🗾Nota da autora:

Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.

 

Sônia Lupion Ortega Wada — SOL


 

 

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 29/03/2026
Alterado em 29/03/2026
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