Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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O que o espelho não alcança

 

De manhã, o mundo acorda correndo para o espelho.

Ajeita o cabelo, corrige a roupa, ensaia um sorriso.

Como quem tenta convencer o dia de que está tudo bem.

 

Mas há um outro espelho — silencioso —

que quase ninguém encara.

 

Ele não reflete o rosto,

reflete pensamentos.

Não mostra rugas, mostra excessos: de pressa, de medo, de vazio.

 

Enquanto os olhos procuram beleza por fora, a mente, esquecida, vai ficando em desordem — como uma casa onde ninguém entra mais para arrumar.

 

E ainda assim…

é dela que nascem as palavras,

os gestos,

os afetos.

 

Melhorar a aparência é rápido.

Melhorar a mente… exige coragem.

 

Coragem de rever ideias,

de limpar mágoas,

de desaprender certezas.

 

Talvez por isso tantos prefiram o espelho da parede — ele não questiona, só devolve.

 

Mas o outro…

ah, o outro transforma.

 

E quem se permite esse encontro

começa, aos poucos, a iluminar por dentro — de um jeito que nenhum reflexo alcança.

 

Bom dia.

 

SONIAÍSMO — SOL ✨

 


 

Nota da autora

 

Palavras têm origem.

E origem merece respeito.

Eu continuo.

SOL

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 14/04/2026
Alterado em 14/04/2026
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