🇯🇵🐾 A Paixão dos Japoneses pelos Gatos
No Japão, os gatos não andam: flutuam.
Deslizam pelas ruas estreitas como quem conhece todos os segredos entre a madrugada e o primeiro trem.
Ninguém os chama, ninguém os prende.
Eles simplesmente existem — e isso basta.
Os japoneses os observam com uma espécie de reverência silenciosa,
como se cada gato fosse uma pequena divindade que concedesse paz
em troca de nada além de um olhar tranquilo.
Nos templos, é comum ver um gato dormindo ao lado da escadaria,
sereno, dono de si e do tempo.
Ninguém o afasta.
Aqui, o gato escolhe onde quer estar —
e o humano se ajeita ao redor, quase pedindo licença para passar.
Nas cidades grandes, onde tudo corre depressa,
há cafés inteiros dedicados a eles.
Você entra, paga o tempo, tira os sapatos…
e de repente o mundo se aquieta.
Um gato se aproxima devagar,
cheira sua mão, esfrega o rosto e vai embora —
aquele tipo de afeto que não gruda,
mas aquece.
Nas ilhas dos gatos, então, o encanto vira regra.
Nos portos, eles esperam pescadores como velhos amigos;
nas casas antigas, dormem enrolados em almofadas desbotadas.
Eles são os verdadeiros moradores —
os humanos, meros visitantes.
Talvez os japoneses amem os gatos porque eles são tudo aquilo que o coração cansado reconhece antes mesmo de entender:
quietude, graça, liberdade.
Ou talvez porque o gato lembra ao Japão algo precioso: a beleza de existir sem pressa,
sem barulho, sem pedir permissão ao mundo.
Um gato não tem dono —
tem destino.
E o Japão, de algum modo,
sempre fez parte do deles.
Nota da autora:
Esta obra é protegida pela Lei nº 9.610/98. É vedado o uso do nome da autora, de trechos ou de interpretações da obra para fins de publicação, validação simbólica ou reapresentação pública sem autorização expressa.
imagem: Cat Café, Akihabara.