Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Viva, Ria e Ame

 

Há um instante raro
em que o dia não nasce —
ele floresce devagar,
como café quente na cozinha aberta
e luz entrando sem pedir licença.

 

O ar muda de textura,
pousa na pele como presença,
e o mundo parece mais próximo,
quase ao alcance da mão.

 

Manhã que se abre em flor,
com janela entreaberta e silêncio leve —
tudo respira no mesmo ritmo.

 

Viva.

 

Viva como quem encontra o chão
e sente que ele reconhece seus pés,
como quem atravessa o comum da rua
e descobre, sem esforço,
um brilho escondido no cotidiano.

 

O passo combina com o instante,
e estar aqui já não precisa de explicação.

 

Ria.

 

Ria do vento que muda o cabelo de lugar,
do café que quase escapa da xícara,
do acaso que encosta em você
como se soubesse o nome.

 

Ria como água encontrando pedra
e escolhendo dançar em vez de resistir,
abrindo caminho por dentro do dia
até que tudo fique mais leve.

 

E o riso fica —
não passa: habita.

 

Ame.

 

Ame o que não faz barulho,
mas sustenta tudo.

 

A conversa sem pressa,
o olhar que chega inteiro,
a mão que encontra outra mão
como se sempre tivesse pertencido ali.

 

Ame o instante simples
que não pede nome, só presença,
e mesmo assim acende por dentro
como mar em repouso.

 

E nesse dia que não precisa ser extraordinário
para ser inesquecível,

 

o mundo sussurra.

 

E tudo que toca
vira memória de luz.

 

Viva —
como quem reconhece a própria vida
no meio do café da manhã.

 

Ria —
como quem deixa o instante brincar consigo.

 

Ame —
como quem descobre que o agora
sempre foi suficiente.

 

SOL

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 01/05/2026
Alterado em 02/05/2026
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