Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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    Em trilha aberta

 

Há amores que são casa,
mas não têm fechadura.

 

A porta encosta —
não para impedir o mundo,
mas para acolher o silêncio
de quem escolheu ficar.

 

Entre dois corpos
não cresce uma cerca,
cresce um campo:
onde cada um caminha
sem deixar de ser horizonte do outro.

 

Te amo —
e não te caibo nas paredes do meu medo.
Te quero —
mas minhas mãos não aprendem nós.

 

Se fores,
não levas pedaços meus —
porque nunca te dei em partes,
te encontrei inteiro,
e inteiro te reconheço livre.

 

E se ficares,
que seja como o vento fica na pele:
sem dono,
sem nome,
mas impossível de não sentir.

 

Porque o amor mais bonito
não é o que prende —
é o que caminha ao lado
como trilha aberta no mundo.

 

SOL

 

 

Nota da autora 

 

(sobre o que é este amor)
Não falo de um nome, nem de um rosto,
nem de uma história que possa ser contada.

 

Falo do amor que existe entre todos os que se encontram:
filhos, pais, irmãos, amigos, amantes —
quando o afeto não se confunde com posse,
e a presença não exige prisão.

 

Falo do amor que reconhece o outro inteiro,
e por isso não o diminui, não o prende, não o molda.

 

Falo de um amor que aprende a ser espaço.

 

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 04/05/2026
Alterado em 05/05/2026
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