Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links

Azul em Ninho

 

Quando o azul desce em mim,
não vem do céu —
vem de dentro,
como se minhas águas lembrassem
de onde vieram.

 

É um azul que respira,
que se encosta na pele por dentro,
e aos poucos faz espaço
onde antes havia ruído.

 

Azul que pousa,
asa leve no silêncio —
peito amanhece.

 

Há um passarinho
que só aparece nesses instantes.

 

Não canta alto.
Não pede.
Apenas encosta o corpo mínimo
na vastidão que se abriu.

 

E eu reconheço:
é ali que o amor aprende
a não ferir.

 

Bico de vento,
costura calma no tempo —
ninho sem pressa.

 

Fico imóvel,
como quem não quer espantar
o que não veio para ficar —
mas fica.

 

E nesse acordo silencioso,
entre o azul que me habita
e a ave que me atravessa,

 

eu deixo de procurar abrigo.

 

Sou espaço.

 

Céu por dentro,
o que pousa me transforma —
e permanece.

 

SOL

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 20/05/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários