Eu posso estar velha”, dizem algumas mulheres antes de emitir uma opinião.
Mas quase nunca é velhice.
É repertório.
Porque depois de certa idade, a gente aprende que nem toda tendência merece aplauso automático só porque apareceu numa passarela com nome estrangeiro e cara de quem nunca carregou um botijão de gás.
Olhei para o rapaz da foto e pensei:
o problema não é o verde.
Eu gosto de verde.
Verde acalma.
Verde lembra esperança, mato molhado, chá quente, árvore viva.
Mas ali… houve um sequestro cromático.
Foi verde na blusa, no casaco, no shortinho, na bolsa, na alma e talvez até no CPF .
E o short…
Ah, o short.
Existe uma linha tênue entre moderno e “parece que saiu atrasado para a aula de educação física de 1987”.
A moda atual insiste em transformar homens adultos em garotos perdidos num acampamento sustentável.
As pernas finas ficaram ainda mais evidentes naquele modelito que economizou pano e exagerou na intenção artística.
E aquela bolsa atravessada no peito?
Não sei se ele vai para um desfile ou entregar pão artesanal de bicicleta.
Talvez eu esteja mesmo envelhecendo.
Porque continuo gostando de homem com roupa de homem.
Não precisa ser engravatado.
Nem sério.
Nem sem criatividade.
Mas há uma beleza discreta na sobriedade.
No equilíbrio.
Na roupa que acompanha a pessoa… e não compete com ela.
Hoje em dia, certas tendências parecem gritar:
“Olhem para minha roupa!”
enquanto a pessoa desaparece lá dentro.
E isso, sinceramente, me incomoda mais do que o shortinho.
Porque elegância nunca foi excesso.
Elegância sempre soube a hora de parar.