Serenata pelo telefone
Para Edson Gonçalves Ferreira
Deus sabe ler nas entrelinhas da nossa tristeza.
Há um instante, meu coração era apenas a calidez do sol sobre a neve,
uma paisagem silenciosa e cinza.
Então o telefone toca.
Mochi, mochi… — o silêncio hesita do outro lado.
E eu digo:
— Alô, alô?
E, para minha surpresa, a sua voz surge, Edson,
cantando só para mim.
Adriane Santana, com seu violão, acompanha
uma serenata que atravessa o tempo e o espaço,
entrando pelos fios, pelo ar, pelo coração.
Ainda estou vestida de emoção.
Existe algo neste mundo maior que o amor?
O amor amigo, que rompe fronteiras e atravessa anos…
A vida às vezes nos rouba a fala,
estanca nossos gestos, prende nossos gestos no ar.
Mas o amor — esse sim — é feito de libertações.
Enquanto você cantava “Passarinho voa, passarinho voa”,
meu coração cinza começou a tingir-se de azul.
Sua voz do outro lado do mundo
chegando como um sol imenso,
dourando minhas entranhas,
fazendo o colorido se derramar no bico do passarinho.
A alma, encharcada de ternura,
entendeu finalmente o tal do bem-me-quer.
E o passarinho voa,
com suas robustas asas,
e com ele, o amor que nunca se apaga.
— Sônia Lupion Ortega Wada