Sônia Lupion Ortega — SOL
Palavras que não gritam — mas permanecem.
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Serenata pelo telefone

 

Serenata pelo telefone

Para Edson Gonçalves Ferreira

 

Deus sabe ler nas entrelinhas da nossa tristeza.

Há um instante, meu coração era apenas a calidez do sol sobre a neve,

uma paisagem silenciosa e cinza.

 

Então o telefone toca.

Mochi, mochi… — o silêncio hesita do outro lado.

E eu digo:

— Alô, alô?

 

E, para minha surpresa, a sua voz surge, Edson,

cantando só para mim.

Adriane Santana, com seu violão, acompanha

uma serenata que atravessa o tempo e o espaço,

entrando pelos fios, pelo ar, pelo coração.

 

Ainda estou vestida de emoção.

 

Existe algo neste mundo maior que o amor?

O amor amigo, que rompe fronteiras e atravessa anos…

A vida às vezes nos rouba a fala,

estanca nossos gestos, prende nossos gestos no ar.

Mas o amor — esse sim — é feito de libertações.

 

Enquanto você cantava “Passarinho voa, passarinho voa”,

meu coração cinza começou a tingir-se de azul.

Sua voz do outro lado do mundo

chegando como um sol imenso,

dourando minhas entranhas,

fazendo o colorido se derramar no bico do passarinho.

 

A alma, encharcada de ternura,

entendeu finalmente o tal do bem-me-quer.

 

E o passarinho voa,

com suas robustas asas,

e com ele, o amor que nunca se apaga.

 

— Sônia Lupion Ortega Wada

 

 

Sônia Lupion Ortega Wada SOL
Enviado por Sônia Lupion Ortega Wada SOL em 05/03/2008
Alterado em 07/12/2025
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